PASSEIO À HOLANDA

O C.L.A.C. - Clube Lusitano do Automóvel Clássico procedeu à organização da sua primeira viagem Internacional, efectuando uma viagem em Automóveis Antigos da Marca Opel, atravessando Países como a Holanda, Bélgica, França, Luxemburgo, Suiça e Espanha. Os 4 Automóveis Antigos embarcaram no dia 23 de Junho com destino a Roterdão, sendo que os participantes partiram no dia 12 de Julho em avião para Amesterdão. O regresso a Portugal aconteceu por via terrestre, ao volante dos seus fabulosos clássicos, no dia 25 de Julho tal como previsto.

Parte I – A logística e a definição da viagem:

A preparação de uma viagem Europeia do C.L.A.C. já vinha sendo pensada desde 2006. Para nós Portugueses que vivemos num canto da Europa chegar a qualquer lado implica passar sempre por Espanha e França que são 2 “travessias” demoradas pelo numero de Km’s que se têm de fazer. Assim tínhamos um primeiro problema escolher o destino. Desde 2006 que o C.L.A.C. tem nas suas fileiras um sócio holandês de nome Jan Hendriks pelo que rapidamente se começou a desenhar a viagem tendo com destino a Holanda. Porém, situando-se a Holanda numa zona muito a Norte da Europa os problemas de deslocação avolumaram-se pelo numero de Km a fazer que se estimava próximo dos 6000 Km em Clássico!

Com todos estes ingredientes ficou definido no final de 2007 que, em 2008, o C.L.A.C. iria à Holanda sendo remetida uma carta a todos os Associados apresentado-lhes um itinerário indicativo que pressupunha a viagem por Santander e a deslocação até à Inglaterra por Ferry e a chegada à Holanda novamente via Ferry. Estaríamos 2 dias na Holanda e regressaríamos pela Europa. Responderam à iniciativa 8 Associados número que se considerou então suficiente para avançar com a ideia. A data estava já definida e seria de 12 a 25 de Julho 2008.

Com a evolução dos acontecimentos e ponderando os vários aspectos do Evento começamos a achar que a viagem iria ser muito pesada, com poucos momentos de descanso pelo que começou a ganhar peso a ideia de enviar os carros pela via terrestre e os participantes viajarem de avião. Com esta ideia a assumir-se como unanime procuramos orçamentos para o envio dos carros e as preocupações aumentaram. Enviar, pela via terrestre, apenas os carros levantava outro problema: é que quem fizesse o trabalho regressaria com os camiões vazios o que tornava os preços incomportáveis. De solução em solução, de orçamento em orçamento, conseguimos decidir que a melhor relação preço/qualidade estava no envio dos carros via contentor marítimo.
O envio pelo mar não se apresentava complicado pela época do ano em que estaríamos na data da viagem (Junho/Julho), mesmo atravessando o Canal da Mancha e o Golfo da Biscaia. A gestão financeira na vida é um exercício da maior importância pelo que pedimos vários orçamentos e procuramos escolher a melhor solução preço/qualidade/segurança. O preço final que obtivemos representou um ganho de 60% sobre o primeiro orçamento que obtivemos. E mesmo pela via marítima os orçamentos obtidos variaram mais de 30%.

Nascia assim o Tour Europe do C.L.A.C. que faria os seus participantes viajar para a Holanda de avião e os carros seguiriam via marítima para Roterdão. Com a imprescindível ajuda do nosso sócio e amigo Jan Hendriks os carros seriam levantados dos contentores na Holanda e recolhidos em segurança até à nossa chegada.

O programa era então o seguinte:

  1. Dia 23 Junho – Embarque das viaturas na Porto Cargo.
  2. Dia 12 Julho – Partida dos participantes em Avião no Aeroporto Sá Carneiro no Porto. Até ao dia 17 programa a cargo do Historische Opel Club Nederland,
  3. Dia 17 - Amsterdão – Luxemburgo (380 km’s). Paragem para almoço em Maastricht. Travessia do Rio Maas.
  4. Dia 18 - Luxemburgo – Mulhouse (294 km’s) Paragem em Nancy (após 118 kms)- visita á Catedral. Almoço na “ Place Stanislas “.
  5. Dia 19 – Mulhouse. Dia dedicado ao Museu Schlumpf
  6. Dia 20 - Mulhouse – Grenoble (443 km’s). Paragem em Laussane (após 238 km’s). Almoço junto ao lago Léman (2º maior lago da Europa ). Passagem por Genéve e Annecy.
  7. Dia 21 - Grenoble – Carcassone (511 km’s). Almoço em Avignon (após 230 km’s). Visita ao Palácio dos Papas.
  8. Dia 22 - Carcassone – Biarritz (432 km’s). Almoço perto do Santuário de Lourdes, após 262 km’s. Passagem pelos “ Pirinéus “.
  9. Dia 23 - Biarritz – Tordesilhas (411 km’s). Paragem para almoço em Burgos (após 262 kms) e visita à Casa onde foi assinado o tratado de Tordesilhas entre Portugal e Espanha que dividiu o Mundo.
  10. Dia 24 - Tordesilhas – Bragança (169 km’s). Visita á cidade de Tordesilhas, almoço em Zamora e jantar em Gimonde.
  11. Dia 25 - Bragança – Porto ( 216 km’s )

    Kms totais - cerca de 2700 Km ( para mais tarde recordar) excluindo os Km a realizar na Holanda.

Entretanto no momento da confirmação das viagens e do pagamento dos transportes e aviões 4 dos participantes, por motivos vários, são forçados a não participar na Expedição.
Restavam 4 Aventureiros a saber:

- João Fernandes – Opel Rekord 1700 de 1960,
- José Resende – Opel Commodore GS Automatic 1970,
- Rui Martins – Opel Kadett B 1972,
- Jorge Baía – Opel 1604 S 1973,

Tudo começa assim no dia 23 de Junho com o embarque das 4 viaturas, em Vila Nova da Telha, nos Armazéns da Porto Cargo a quem muito agradecemos toda a colaboração e atenção demonstrada.

A montagem dos nossos Antigos e Clássicos nos Contentores não é uma operação fácil, sendo que assistimos a todas as operações tendo, incluisivé, participado activamente nelas, nomeadamente o nosso Director João Fernandes. Importa “calçar” as rodas com madeiras que são pregadas ao soalho bem como aplicar 4 cabos de aço bem firmes em cada uma das extremidades do Clássico. Para a história os contentores e respectivos carros seguiram no navio JRS Capella rumo à Holanda.

Entretanto e para acautelar eventuais avarias todos nos preocupamos possíveis problemas que os carros podessem ter pelo que as malas iam já recheadas com peças suplentes nomeadamente dínamos, alternadores, bombas de água e gasolina, tubos de água, velas, condensadores e platinados, tampas de distribuidores, óleo, anticongelante, entre outras peças, além da necessária ferramenta. Apenas uma excepção o Sr. Resende que nem uma peça suplente levou para o seu Commodore. A viagem comprovou que nada seria necessário para o carro que se comportou em toda a Expedição como se nada fosse com ele.

E a viagem continua com a nossa chegada à Holanda.

Parte II - Estadia na Holanda:

A chegada à Holanda foi espectacular. Os Holandeses esperavam-nos com uma Opel Blitz touringcar de 1950, modelo que em Portugal não conhecemos. A camioneta está impecável e rola ainda hoje com um conforto muito aceitável. Tem a particularidade de os vidros superiores serem coloridos e todos os locais de arrumo serem manifestamente de outra geração, mas os pormenores ainda são deliciosos. A coluna de rádio, as cortinas, as redes para arrumo, os estofos em napa castanha, a mala para bagagens, enfim excelentes ingredientes para uma recepção única e inesquecível. Esperavam-nos o nosso sócio e amigo Jan Hendriks bem como os principais dirigentes do Clube Opel local, inclusive o próprio Presidente.

Teremos feito cerca de 50 Km nesta Blitz que, ficamos a saber mais tarde, abundam na Holanda e realizam-se mesmo encontros periódicos só de Blitz. Foi este magnífico exemplar Opel que nos levou até Arkel onde se encontravam os nossos carros. Já tínhamos sido informados que estava tudo bem com eles, mas quando os vimos não deixamos de fazer uma inspecção-geral e o agrado foi total. Até estavam “lavadinhos” e tudo. Recordo-me bem dos nossos aplausos quando terminou a viagem na Blitz e vimos os nossos carros.
Então começaram os problemas com o carro do João, o Rekord de 1960. O João efectuou uma revisão geral ao seu carro pintou o compartimento do motor e o próprio motor, mas a montagem foi feita muito em cima da hora, sem possibilidade de testar o carro. Assim o carro estava sem bateria já que o dínamo não estava a proceder à respectiva carga. Os Holandeses, sempre inexcedíveis, emprestaram uma bateria de 6 V, para o João rolar até ao local onde iríamos dormir, ficando logo agendada para o dia seguinte uma intervenção por técnicos especializados, no dia do Evento Opel Holanda/Portugal. O que se viria a constatar mais tarde foi que a cablagem eléctrica foi mal montada, tendo sido tudo então corrigido. Após mudança de platinados e condensador, e uma vez com o carro devidamente afinado, a deslocação até Portugal foi efectuado sem qualquer problema. Bravo Rekord 1700 P1 de 1960.

Seguimos então até casa do nosso sócio Jan para um pequeno lanche e fomos conhecer as nossas instalações em Arkel onde iríamos ficar na nossa estadia Holandesa. Tudo verde, imensas vacas a pastar num habitat natural perfeito, um cheiro inconfundível e um local maravilhoso para passear a pé e de bicicleta. Além do mais sem ruído que não o dos animais.
Ainda neste dia tivemos um jantar tipicamente Holandês em casa do Jan, 5 metros abaixo do nível do mar (na Holanda mais de metade do país é conquistado à água). Entretanto o C.L.A.C. tornou-se membro do Historische Opel Club Nederland e vice-versa. Mais um momento alto na História desta Aventura.
Ainda neste dia procedemos aos agradecimentos aos amigos Holandeses com ofertas de Vinho do Porto (não podia faltar a nossa imagem de Marca) e placa comemorativa do C.L.A.C. ao nosso sócio Jan sem o qual esta aventura teria sido impossível.
Este primeiro dia foi muito cansativo mas fantástico, como seria, alias, toda a viagem. Recebemos ainda todos um conjunto de brindes, oferta dos Holandeses.

No dia 13 realizou então o Encontro Opel Holanda/Portugal. Ficamos surpreendidos por ver tantos Kapitan’s, bem mais antigos que os que conhecemos em Portugal, mas a qualidade das viaturas dos Portugueses continua a ser uma referência. Os nossos carros ficam mesmo bem junto dos Holandeses, pelo seu estado original e irrepreensível. Algumas das viaturas Holandesas mais antigas presentes mereciam um restauro, embora nos tenham transmitido que apenas estiveram presentes por nossa causa. Em momento algum deixamos de utilizar a bandeira de Portugal nos nossos carros e utilizamos também a Holandesa, conforme nos foi pedido.

Como são diferentes os passeios na Holanda. Os ingredientes são a tranquilidade, a calma e ausência de stress. Por norma os Holandeses levam uma “marmita” com conteúdos alimentares e privilegiam o passeio, apreciando as paisagens (e que belas que elas são na Holanda) reabastecendo-se quando e onde lhes apetece, mesmo em andamento. Apenas almoçam ou jantam pelas 18 horas e às 21 os restaurantes estão fechados. Bem: nós que temos outros hábitos passamos por alguns momentos mais complicados, embora no dia seguinte os Holandeses fizeram o favor de se habituar aos nossos hábitos e tudo voltou ao normal.

Falar da nossa estadia na Holanda seria demorado e complicado, pelo que procuraremos deixar aqui algumas notas que permitam relembrar esta Odisseia:

  1. Super 6: a visita a colecções particulares foi uma das formas que os Holandeses escolheram para nos apresentar os seus Opel’s. A que mais apreciamos foi aquela onde conhecemos um modelo Super 6, na Região de Friesland, que dá o nome ao nosso Boletim C.L.A.C. e que integra o símbolo do Clube. Foi um momento único e apreciamos demoradamente o modelo e fizemos mesmo fotografias de conjunto únicas e para posteridade. Mas este sócio do Historische Opel Club Nederland tem uma colecção de Opel’s maravilhosa incluindo um modelo Opel que participou na II guerra mundial. Fomos ainda brindados com um lanche dentro da própria oficina de trabalho (neste altura os hábitos alimentares já eram do agrado dos portugueses).

  2. De entre as múltiplas refeições que fizemos destacamos aquela que fizemos junto aos canais. Um local de tranquilidade absoluta, em que os canais tornam o ambiente numa tranquilidade impar e onde as portagens dos barcos são cobradas pelo sistema “cana de pesca”.
    Dados os inúmeros canais que existem na Holanda existem também múltiplas pontes levadiças que se abrem para os barcos passarem. O pagamento da portagem faz-se com uma cana que o portageiro ergue na direcção do barco e onde os viajantes devem colocar o montante da portagem. No extremo da cana tem um sapato em madeira (sabot) tipicamente holandês que permite introduzir o valor da portagem sem o mesmo caír no canal.

  3. Blitz: ficamos a conhecer uma colecção única de Blitz’s como nunca tínhamos visto.
    Todos os modelos da Blitz’s desde o Tipo I até ao Tipo IV. Colecção única incluindo oficina de restauro, atrelados, veículos de bombeiros, etc.

  4. Rolar na Holanda significa rolar sempre rodeados de água, múltiplas bicicletas que têm prioridade sobre os carros (o país é quase 100% plano). Tivemos de parar várias vezes devido à abertura das pontes móveis. A Holanda é muito, muito verde, tem inúmeras vacas em pasto e sente-se um clima puro e único. É muito agradável a Holanda,

  5. Diques: momentos únicos com a passagem nos diques do Norte da Holanda onde se circula abaixo do nível do mar. De um lado temos água abaixo de nós e do outro acima de nós suspensa por diques. É uma sensação a que nem todos resistem mas que no nosso caso não se verificou qualquer problema. Para a posteridade lá ficou a foto e mais umas sensações únicas.

  6. Moinhos: visitamos o espaço Património Mundial – Moinhos de vento Kinderdijk. Com a oportunidade de fazer uma visita de barco no canal existente no meio dos moinhos e mesmo de visitar um exemplar integralmente restaurado e ainda a funcionar em perfeitas condições.

  7. Tivemos também a oportunidade de visitar um espaço que será Museu no futuro bem como um incrível espaço repleto de viaturas para restaurar, algumas mesmo completas e em excelente estado para restauro.

  8. Visitamos ainda em um espaço repleto de Opel’s preparados para competição, bem como um espaço único de um enorme stock de peças para Clássicos Opel. Algumas preocupações do nosso amigo Jorge Baía foram aí resolvidas e gratuitamente, falando de peças para o seu 1604 S.

Agradecemos aos Holandeses toda a recepção, todos os cuidados que tiveram connosco e todos as lembranças que nos ofereceram. Seria inadequado e injusto não relembrar para sempre todas as gentilezas e preocupações que tiveram connosco quer antes, quer durante quer mesmo depois de terminar o Evento na Holanda.

Os Holandeses já estiveram duas vezes em Portugal, esperamos agora uma comitiva maior em breve e façamos votos para ter a capacidade para os receber tão bem como eles a nós nos souberam receber.

A viagem continua com o regresso a Portugal com passagem pela Bélgica, Luxemburgo, Suíça, França e Espanha. No total faremos cerca de 4000 KM nesta viagem.

Parte III - O Regresso a Portugal

O regresso a Portugal começou no dia 17, pelo que fomos forçados a abandonar a Holanda. É assim a vida. Planeamos nesta fase levantarmo-nos cedo, partir pelas 9 horas da manhã e dar prioridade à concretização do número de Km definido. Assim a grande diferença em relação à estadia na Holanda é que agora teríamos de estar muito tempo dentro dos carros. Com o Rekord P1 de 1960 a definir a média de velocidade da caravana, entre os 80/90 Km/h, todas as contas se limitavam a essa performance.
Optamos também por visitar 2 Locais por dia para tornar a viagem mais interessante e menos monótona. Numa primeira fase no fim do dia iríamos procurar Hotel, mas a partir do momento em que percebemos que não teríamos problemas com os carros optamos por utilizar a cadeia Ibis e marcamos logo Hotel para a noite seguinte, tornando tudo mais tranquilo.

Das visitas que fizemos, aqui ficam as referências mais importantes:

  1. Bélgica – A travessia da Bélgica foi rápida e apesar de termos dormido lá uma noite, foi quase uma passagem. Na memória ficam-nos os problemas do carro do Baía, à passagem por SPA, que começou a falhar. Inicialmente pensei tratar-se de uma questão de corrente (o carro tinha levado uma excelente revisão e tudo era novo) e mudamos o condensador no distribuidor. O carro melhorou mas pouco depois voltar a falhar. Verificando o nível de óleo constatamos que o motor estava guloso pelo que fomos tirar as velas e verificamos que estavam cheias de carvão. Estava identificado o problema. De imediato metemos velas novas e o carro ficou outra vez excelente. Durante esta viagem passamos o tempo a escovar as velas do 1604 para assegurar que o carro chegava a Portugal. Agora ter-se-à que verificar e resolver os problemas do motor (advinha-se segmentos). Duas notas finais que vão obrigar a voltar lá: a passagem por SPA sem passar pelo circuito e a impossibilidade de irmos a Bruxelas conhecer o memorial da batalha de Waterloo. Mas os tempos de viagem e o programa eram apertados e foi impossível arranjar tempo para estas visitas.

  2. Luxemburgo – O que mais nos surpreendeu no Luxemburgo foi as filas imensas nas Áreas de Serviço que entravam pela autoestrada dentro. Causa: o preço da gasolina ser cerca de 0.4 € mais barato. Na cidade do Luxemburgo encontramos Portugueses por todo o lado e ficamos surpreendidos com o movimento gigantesco que aquele pequeno País tem. Sendo um dos Países Europeus com rendimentos per capita mais elevados, imaginávamos um País tranquilo mas o que encontramos foi totalmente diferente.

  3. Suiça – Lausanne foi o principal destino que escolhemos para parar na Suíça. Na passagem da fronteira tivemos todos de pagar o famoso autocolante (cerca de 40 €) que dá direito a circular gratuitamente nas Autoestradas. Ficarão para sempre nos nossos pára-brisas como recordação desta incrível viagem. A passagem pela Suíça transmitiu-nos a imagem já conhecida: muita tranquilidade, muito rigor, montanhas, lagos e pastagens. Em Lausanne junto dos imenso lago, com vista para França, voltamos a apanhar um “banho” de português, que era a língua que mais se falava nas redondezas. Verificou-se mesmo um episódio muito simpático: estava eu a comandar a nossa caravana e parei num semáforo vermelho. Parou um carro ao meu lado e como o nosso carro transportava a bandeira Lusitana o seu condutor perguntou num português perfeito: quer trocar esse carro por este? Eu só me ri e disse que o meu carro não é para vender nem para trocar. O nosso compatriota, de Santa Maria da Feira, perguntou para onde íamos e dissemos que o objectivo era almoçar junto ao Lago. Sugeriu de imediato almoçar no Clube Português de Lausanne, o que aceitamos, e foi o nosso guia. Espirito simpático e disponível tipicamente português. Lá encontramos um restaurante com bom bacalhau, bons bifes na pedra e ainda assim um ruído tipicamente português, estávamos na Suíça mas sentíamo-nos em casa e toda a gente só falava português.

  4. França: foram vários os locais visitados neste País:
  1. Nancy – Place Stanislas, impressionante esta Praça pela sua beleza e dimensão,

  2. Mulhouse - Colecção Schumpf: falar deste Museu que é o maior Museu de Automóveis Antigos da Europa é tarefa difícil, porque só passando por lá é que se consegue compreender o que temos para ver. Cerca de 140 Bugatti e 400 Automóveis Antigos, desde os Pioneiros, a maioria deles veículos muito raros, é tarefa impossível de fazer em palavras. Mas desde os Carros Antigos que estão no Museu, ao minitrem para visita, a restaurantes, várias salas de cinema, espaço de desporto automóvel (destaque Le Mans e Formula 1), motas, espaço para compra de recordações: é incrível a dimensão e qualidade do Museu. Recomendamos para quem gosta de Clássicos, uma visita.

  3. Carcassone: Uma fortaleza medieval dos sec. XII e XIII com origem nos tempos Romanos, mas com influencia também dos Romanos e dos Visigodos, é o ponto forte. O movimento de pessoas era incrível.

  4. Lourdes e Col do Tourmalet: Visitamos o Santuário que se situa numa espécie de Ilha e subimos o Col do Tourmalet que chega a ter inclinações de 10%. O João e o seu Rekord P1 optaram, por precaução (o carro começou a chegar aos 100 graus de temperatura), por não subir mas os outros 3 Clássicos Opel chegaram lá a cima sem grandes dificuldades e todos ficamos impressionados com os níveis de inclinação. O Tourmalet pouco mais alto é que a nossa Serra da Estrela (uma diferença em altura de 200 m, excluindo o Pic do Midi a mais de 3000 m de altura) mas os níveis de inclinações é que são muito mais elevados. Comparar este Col com a nossa Serra da Estrela ou com o Marão só por brincadeira. Mas mesmo assim os nossos carros lá chegaram. Agora imaginem subir de bicicleta ... Ai! Ai!

  5. Avignon: Vale pelo seu Centro histórico. Local de residência oficial dos Papas quando eles eram franceses. Estamos no Sec XIII. A dimensão é incrível e o que mais nos surpreendeu, nesta época do ano, foram as inúmeras actividades de caracter cultural em curso e um movimento de pessoas imenso, tal como sucedeu em Carcassone.

  6. Biarritz: demos aqui uma pequena escapadela para tomar um café nas praias francesas.
  1. Espanha – Atravessar a Espanha é sempre um exercício difícil, ficamos sempre com aquela ideia que estamos a atravessar um “deserto”. No itinerário apenas tínhamos uma referência de paragem – Tordesilhas, com a visita à Casa onde em 1494 os Portugueses e Espanhóis decidiram assinar o tratado que divida o Mundo. O Movimento turístico em torno desta casa é a referência local, estando o respectivo Posto de Turismo concentrado na divulgação do tratado. Destaque ainda para a biblioteca hoje existente no interior da Casa.

    Ainda em Espanha foi o meu Kadett B que começou a falhar na carburação. Tentei mudar as afinações de mistura várias vezes, mas sem resolver o problema. Apenas em casa é que verifiquei que o tudo de ar que sai da tampa das válvulas para a panela do filtro de ar estava com uma fenda enorme mas que não se conseguia ver com a panela desmontada. Porém, em casa, e com mais tempo descobri logo o problema e já está tudo bem novamente. Se eu já tinha muita confiança neste Kadett B de 1972 com 250000 Km, que posso eu dizer agora? É que fizemos cerca de 4030 Km’s apenas com este pequeno problema na fase final da viagem.

  2. Portugal: no dia 25 efectuamos o almoço de despedida em Bragança, em Gimonde, e contamos com a presença dos amigos do NAC - Nordeste Automóvel Clube.

Algumas notas finais:

  1. Preço da gasolina: com excepção da Espanha e do Luxemburgo a gasolina é mais cara que em Portugal. Nos hipermercados franceses é muito próxima do valor Português. Isto comparando apenas preços, desprezando os rendimentos per capita/País.

  2. Os nossos Clássicos merecem nota máxima e acho que qualquer um de nós se tiver um motor em condições normais de funcionamento, um circuito de água com tubos em bom estado, bem como um bom liquido de refrigeração e o circuito devidamente limpo, com correctas afinações faz uma viagem destas sem problemas de maior. Apenas algum material suplente na mala para que qualquer ocorrência possa ser superada e nada de especial acontecerá.
    Acreditamos que com estes carros podemos dar a Volta ao Mundo.

  3. Cumprimos integralmente o programa definido apenas com ligeiros atrasos chegando a casa no dia 25 como programado;

  4. A solução ideal para este tipo de Eventos é avançar dia a dia em função do que vai acontecendo; a escolha de uma cadeia de Hotéis que permita marcar alojamento para a noite seguinte é a solução recomendada.

  5. Para terminar: se tiverem oportunidade de viver uma Aventura destas não a percam. Será um momento único. Circular de Clássico em toda a Europa é incrível e se for, como no caso, bem a norte da Europa, nem calor temos e circula-se sem dificuldades.

O C.L.A.C. mostra-se assim orgulhoso pela viagem efectuada e por todos os incentivos que nos forma chegando, e estamos seguro que engrandecemos o nome do nosso Portugal e mostramos que temos capacidade para realizar projectos acima bem mais ambiciosos que este. Esperem pelas próximas novidades!

Bem hajam todos os que gostam de Clássicos e, em amizade, sabem viver estes momentos únicos na vida!

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