O C.L.A.C. - Clube Lusitano do Automóvel
Clássico procedeu à organização da sua primeira viagem
Internacional, efectuando uma viagem em Automóveis Antigos da
Marca Opel, atravessando Países como a Holanda, Bélgica, França,
Luxemburgo, Suiça e Espanha. Os 4 Automóveis Antigos embarcaram
no dia 23 de Junho com destino a Roterdão, sendo que os
participantes partiram no dia 12 de Julho em avião para
Amesterdão. O regresso a Portugal aconteceu por via terrestre,
ao volante dos seus fabulosos clássicos, no dia 25 de Julho
tal como previsto.
Parte I – A logística e a definição da viagem:
A preparação de uma viagem Europeia do C.L.A.C. já vinha sendo
pensada desde 2006. Para nós Portugueses que vivemos num canto
da Europa chegar a qualquer lado implica passar sempre por
Espanha e França que são 2 “travessias” demoradas pelo numero de
Km’s que se têm de fazer. Assim tínhamos um primeiro problema
escolher o destino. Desde 2006 que o C.L.A.C. tem nas suas fileiras
um sócio holandês de nome Jan Hendriks pelo que rapidamente se
começou a desenhar a viagem tendo com destino a Holanda. Porém,
situando-se a Holanda numa zona muito a Norte da Europa os
problemas de deslocação avolumaram-se pelo numero de Km a fazer
que se estimava próximo dos 6000 Km em Clássico!
Com todos estes ingredientes ficou definido no final de 2007
que, em 2008, o C.L.A.C. iria à Holanda sendo remetida uma carta a
todos os Associados apresentado-lhes um itinerário indicativo
que pressupunha a viagem por Santander e a deslocação até à
Inglaterra por Ferry e a chegada à Holanda novamente via Ferry.
Estaríamos 2 dias na Holanda e regressaríamos pela Europa.
Responderam à iniciativa 8 Associados número que se considerou
então suficiente para avançar com a ideia. A data estava já
definida e seria de 12 a 25 de Julho 2008.
Com a evolução dos acontecimentos e ponderando os vários
aspectos do Evento começamos a achar que a viagem iria ser muito
pesada, com poucos momentos de descanso pelo que começou a
ganhar peso a ideia de enviar os carros pela via terrestre e os
participantes viajarem de avião. Com esta ideia a assumir-se
como unanime procuramos orçamentos para o envio dos carros e as
preocupações aumentaram. Enviar, pela via terrestre, apenas os
carros levantava outro problema: é que quem fizesse o trabalho
regressaria com os camiões vazios o que tornava os preços
incomportáveis. De solução em solução, de orçamento em
orçamento, conseguimos decidir que a melhor relação
preço/qualidade estava no envio dos carros via contentor
marítimo.
O envio pelo mar não se apresentava complicado pela época do ano
em que estaríamos na data da viagem (Junho/Julho), mesmo
atravessando o Canal da Mancha e o Golfo da Biscaia. A gestão
financeira na vida é um exercício da maior importância pelo que
pedimos vários orçamentos e procuramos escolher a melhor solução
preço/qualidade/segurança. O preço final que obtivemos
representou um ganho de 60% sobre o primeiro orçamento que
obtivemos. E mesmo pela via marítima os orçamentos obtidos
variaram mais de 30%.
Nascia assim o Tour Europe do C.L.A.C. que faria os seus
participantes viajar para a Holanda de avião e os carros
seguiriam via marítima para Roterdão. Com a imprescindível ajuda
do nosso sócio e amigo Jan Hendriks os carros seriam levantados
dos contentores na Holanda e recolhidos em segurança até à nossa
chegada.
O programa era então o seguinte:
Dia 23 Junho – Embarque das viaturas na Porto Cargo.
Dia 12 Julho – Partida dos participantes em Avião no Aeroporto Sá Carneiro
no Porto. Até ao dia 17 programa a cargo do Historische Opel
Club Nederland,
Dia 17 - Amsterdão – Luxemburgo (380 km’s). Paragem para almoço em
Maastricht. Travessia do Rio Maas.
Dia 18 - Luxemburgo – Mulhouse (294 km’s) Paragem em Nancy (após 118
kms)- visita á Catedral. Almoço na “ Place Stanislas “.
Dia 19 – Mulhouse. Dia dedicado ao Museu Schlumpf
Dia 20 - Mulhouse – Grenoble (443 km’s). Paragem em Laussane (após
238 km’s). Almoço junto ao lago Léman (2º maior lago da
Europa ). Passagem por Genéve e Annecy.
Dia 21 - Grenoble – Carcassone (511 km’s). Almoço em Avignon (após
230 km’s). Visita ao Palácio dos Papas.
Dia 22 - Carcassone – Biarritz (432 km’s). Almoço perto do Santuário
de Lourdes, após 262 km’s. Passagem pelos “ Pirinéus “.
Dia 23 - Biarritz – Tordesilhas (411 km’s). Paragem para almoço em
Burgos (após 262 kms) e visita à Casa onde foi assinado o
tratado de Tordesilhas entre Portugal e Espanha que dividiu
o Mundo.
Dia 24 - Tordesilhas – Bragança (169 km’s). Visita á cidade de
Tordesilhas, almoço em Zamora e jantar em Gimonde.
Dia 25 - Bragança – Porto ( 216 km’s )
Kms totais - cerca de 2700 Km ( para mais tarde recordar) excluindo os Km a realizar na Holanda.
Entretanto no momento da confirmação das viagens e do pagamento dos
transportes e aviões 4 dos participantes, por motivos vários,
são forçados a não participar na Expedição.
Restavam 4 Aventureiros a saber:
- João Fernandes – Opel Rekord 1700 de 1960,
- José Resende – Opel Commodore GS Automatic 1970,
- Rui Martins – Opel Kadett B 1972,
- Jorge Baía – Opel 1604 S 1973,
Tudo começa assim no dia 23 de Junho com o embarque das 4 viaturas, em Vila Nova da
Telha, nos Armazéns da Porto Cargo a quem muito agradecemos toda
a colaboração e atenção demonstrada.
A montagem dos nossos Antigos e Clássicos nos Contentores não é
uma operação fácil, sendo que assistimos a todas as operações
tendo, incluisivé, participado activamente nelas, nomeadamente o
nosso Director João Fernandes. Importa “calçar” as rodas com
madeiras que são pregadas ao soalho bem como aplicar 4 cabos de
aço bem firmes em cada uma das extremidades do Clássico. Para a
história os contentores e respectivos carros seguiram no navio
JRS Capella rumo à Holanda.
Entretanto e para acautelar eventuais avarias todos nos
preocupamos possíveis problemas que os carros podessem ter pelo
que as malas iam já recheadas com peças suplentes nomeadamente
dínamos, alternadores, bombas de água e gasolina, tubos de água,
velas, condensadores e platinados, tampas de distribuidores,
óleo, anticongelante, entre outras peças, além da necessária
ferramenta. Apenas uma excepção o Sr. Resende que nem uma peça
suplente levou para o seu Commodore. A viagem comprovou que nada
seria necessário para o carro que se comportou em toda a
Expedição como se nada fosse com ele.
E a viagem continua com a nossa chegada à Holanda.
Parte II - Estadia na Holanda:
A chegada à Holanda foi espectacular. Os Holandeses
esperavam-nos com uma Opel Blitz touringcar de 1950, modelo que
em Portugal não conhecemos. A camioneta está impecável e rola
ainda hoje com um conforto muito aceitável. Tem a
particularidade de os vidros superiores serem coloridos e todos
os locais de arrumo serem manifestamente de outra geração, mas
os pormenores ainda são deliciosos. A coluna de rádio, as
cortinas, as redes para arrumo, os estofos em napa castanha, a
mala para bagagens, enfim excelentes ingredientes para uma
recepção única e inesquecível. Esperavam-nos o nosso sócio e
amigo Jan Hendriks bem como os principais dirigentes do Clube
Opel local, inclusive o próprio Presidente.
Teremos feito cerca de 50 Km nesta Blitz que, ficamos a saber
mais tarde, abundam na Holanda e realizam-se mesmo encontros
periódicos só de Blitz. Foi este magnífico exemplar Opel que nos
levou até Arkel onde se encontravam os nossos carros. Já
tínhamos sido informados que estava tudo bem com eles, mas
quando os vimos não deixamos de fazer uma inspecção-geral e o
agrado foi total. Até estavam “lavadinhos” e tudo. Recordo-me
bem dos nossos aplausos quando terminou a viagem na Blitz e
vimos os nossos carros.
Então começaram os problemas com o carro do João, o Rekord de
1960. O João efectuou uma revisão geral ao seu carro pintou o
compartimento do motor e o próprio motor, mas a montagem foi
feita muito em cima da hora, sem possibilidade de testar o
carro. Assim o carro estava sem bateria já que o dínamo não
estava a proceder à respectiva carga. Os Holandeses, sempre
inexcedíveis, emprestaram uma bateria de 6 V, para o João rolar
até ao local onde iríamos dormir, ficando logo agendada para o
dia seguinte uma intervenção por técnicos especializados, no dia
do Evento Opel Holanda/Portugal. O que se viria a constatar mais
tarde foi que a cablagem eléctrica foi mal montada, tendo sido
tudo então corrigido. Após mudança de platinados e condensador,
e uma vez com o carro devidamente afinado, a deslocação até
Portugal foi efectuado sem qualquer problema. Bravo Rekord 1700
P1 de 1960.
Seguimos então até casa do nosso sócio Jan para um pequeno
lanche e fomos conhecer as nossas instalações em Arkel onde
iríamos ficar na nossa estadia Holandesa. Tudo verde, imensas
vacas a pastar num habitat natural perfeito, um cheiro
inconfundível e um local maravilhoso para passear a pé e de
bicicleta. Além do mais sem ruído que não o dos animais.
Ainda neste dia tivemos um jantar tipicamente Holandês em casa
do Jan, 5 metros abaixo do nível do mar (na Holanda mais de
metade do país é conquistado à água). Entretanto o C.L.A.C.
tornou-se membro do Historische Opel Club Nederland e
vice-versa. Mais um momento alto na História desta Aventura.
Ainda neste dia procedemos aos agradecimentos aos amigos
Holandeses com ofertas de Vinho do Porto (não podia faltar a
nossa imagem de Marca) e placa comemorativa do C.L.A.C. ao nosso
sócio Jan sem o qual esta aventura teria sido impossível.
Este primeiro dia foi muito cansativo mas fantástico, como
seria, alias, toda a viagem. Recebemos ainda todos um conjunto
de brindes, oferta dos Holandeses.
No dia 13 realizou então o Encontro Opel Holanda/Portugal.
Ficamos surpreendidos por ver tantos Kapitan’s, bem mais antigos
que os que conhecemos em Portugal, mas a qualidade das viaturas
dos Portugueses continua a ser uma referência. Os nossos carros
ficam mesmo bem junto dos Holandeses, pelo seu estado original e
irrepreensível. Algumas das viaturas Holandesas mais antigas
presentes mereciam um restauro, embora nos tenham transmitido
que apenas estiveram presentes por nossa causa. Em momento algum
deixamos de utilizar a bandeira de Portugal nos nossos carros e
utilizamos também a Holandesa, conforme nos foi pedido.
Como são diferentes os passeios na Holanda. Os ingredientes são
a tranquilidade, a calma e ausência de stress. Por norma os
Holandeses levam uma “marmita” com conteúdos alimentares e
privilegiam o passeio, apreciando as paisagens (e que belas que
elas são na Holanda) reabastecendo-se quando e onde lhes
apetece, mesmo em andamento. Apenas almoçam ou jantam pelas 18
horas e às 21 os restaurantes estão fechados. Bem: nós que temos
outros hábitos passamos por alguns momentos mais complicados,
embora no dia seguinte os Holandeses fizeram o favor de se
habituar aos nossos hábitos e tudo voltou ao normal.
Falar da nossa estadia na Holanda seria demorado e complicado,
pelo que procuraremos deixar aqui algumas notas que permitam
relembrar esta Odisseia:
Super 6: a visita a colecções particulares foi uma das formas que os
Holandeses escolheram para nos apresentar os seus Opel’s. A
que mais apreciamos foi aquela onde conhecemos um modelo
Super 6, na Região de Friesland, que dá o nome ao nosso
Boletim C.L.A.C. e que integra o símbolo do Clube. Foi um
momento único e apreciamos demoradamente o modelo e fizemos
mesmo fotografias de conjunto únicas e para posteridade. Mas
este sócio do Historische Opel Club Nederland tem uma
colecção de Opel’s maravilhosa incluindo um modelo Opel que
participou na II guerra mundial. Fomos ainda brindados com
um lanche dentro da própria oficina de trabalho (neste
altura os hábitos alimentares já eram do agrado dos
portugueses).
De entre as múltiplas refeições que fizemos destacamos
aquela que fizemos junto aos canais. Um local de
tranquilidade absoluta, em que os canais tornam o ambiente
numa tranquilidade impar e onde as portagens dos barcos são
cobradas pelo sistema “cana de pesca”.
Dados os inúmeros canais que existem na Holanda existem
também múltiplas pontes levadiças que se abrem para os
barcos passarem. O pagamento da portagem faz-se com uma cana
que o portageiro ergue na direcção do barco e onde os
viajantes devem colocar o montante da portagem. No extremo
da cana tem um sapato em madeira (sabot) tipicamente
holandês que permite introduzir o valor da portagem sem o
mesmo caír no canal.
Blitz: ficamos a conhecer uma colecção única de Blitz’s
como nunca tínhamos visto.
Todos os modelos da Blitz’s desde o Tipo I até ao Tipo IV.
Colecção única incluindo oficina de restauro, atrelados,
veículos de bombeiros, etc.
Rolar na Holanda significa rolar sempre rodeados de água,
múltiplas bicicletas que têm prioridade sobre os carros (o
país é quase 100% plano). Tivemos de parar várias vezes
devido à abertura das pontes móveis. A Holanda é muito,
muito verde, tem inúmeras vacas em pasto e sente-se um clima
puro e único. É muito agradável a Holanda,
Diques: momentos únicos com a passagem nos diques do Norte
da Holanda onde se circula abaixo do nível do mar. De um
lado temos água abaixo de nós e do outro acima de nós
suspensa por diques. É uma sensação a que nem todos resistem
mas que no nosso caso não se verificou qualquer problema.
Para a posteridade lá ficou a foto e mais umas sensações
únicas.
Moinhos: visitamos o espaço Património Mundial – Moinhos
de vento Kinderdijk. Com a oportunidade de fazer uma visita
de barco no canal existente no meio dos moinhos e mesmo de
visitar um exemplar integralmente restaurado e ainda a
funcionar em perfeitas condições.
Tivemos também a oportunidade de visitar um espaço que
será Museu no futuro bem como um incrível espaço repleto de
viaturas para restaurar, algumas mesmo completas e em
excelente estado para restauro.
Visitamos ainda em um espaço repleto de Opel’s preparados
para competição, bem como um espaço único de um enorme stock
de peças para Clássicos Opel. Algumas preocupações do nosso
amigo Jorge Baía foram aí resolvidas e gratuitamente,
falando de peças para o seu 1604 S.
Agradecemos aos Holandeses toda a recepção, todos os cuidados que tiveram
connosco e todos as lembranças que nos ofereceram. Seria
inadequado e injusto não relembrar para sempre todas as
gentilezas e preocupações que tiveram connosco quer antes, quer
durante quer mesmo depois de terminar o Evento na Holanda.
Os Holandeses já estiveram duas vezes em Portugal, esperamos
agora uma comitiva maior em breve e façamos votos para ter a
capacidade para os receber tão bem como eles a nós nos souberam
receber.
A viagem continua com o regresso a Portugal com passagem pela
Bélgica, Luxemburgo, Suíça, França e Espanha. No total faremos
cerca de 4000 KM nesta viagem.
Parte III - O Regresso a Portugal
O regresso a Portugal começou no dia 17, pelo que fomos forçados
a abandonar a Holanda. É assim a vida. Planeamos nesta fase
levantarmo-nos cedo, partir pelas 9 horas da manhã e dar
prioridade à concretização do número de Km definido. Assim a
grande diferença em relação à estadia na Holanda é que agora
teríamos de estar muito tempo dentro dos carros. Com o Rekord P1
de 1960 a definir a média de velocidade da caravana, entre os
80/90 Km/h, todas as contas se limitavam a essa performance.
Optamos também por visitar 2 Locais por dia para tornar a viagem
mais interessante e menos monótona. Numa primeira fase no fim do
dia iríamos procurar Hotel, mas a partir do momento em que
percebemos que não teríamos problemas com os carros optamos por
utilizar a cadeia Ibis e marcamos logo Hotel para a noite
seguinte, tornando tudo mais tranquilo.
Das visitas que fizemos, aqui ficam as referências mais
importantes:
Bélgica – A travessia da Bélgica foi rápida e apesar de termos dormido
lá uma noite, foi quase uma passagem. Na memória ficam-nos
os problemas do carro do Baía, à passagem por SPA, que
começou a falhar. Inicialmente pensei tratar-se de uma
questão de corrente (o carro tinha levado uma excelente
revisão e tudo era novo) e mudamos o condensador no
distribuidor. O carro melhorou mas pouco depois voltar a
falhar. Verificando o nível de óleo constatamos que o motor
estava guloso pelo que fomos tirar as velas e verificamos
que estavam cheias de carvão. Estava identificado o
problema. De imediato metemos velas novas e o carro ficou
outra vez excelente. Durante esta viagem passamos o tempo a
escovar as velas do 1604 para assegurar que o carro chegava
a Portugal. Agora ter-se-à que verificar e resolver os
problemas do motor (advinha-se segmentos). Duas notas finais
que vão obrigar a voltar lá: a passagem por SPA sem passar
pelo circuito e a impossibilidade de irmos a Bruxelas
conhecer o memorial da batalha de Waterloo. Mas os tempos de
viagem e o programa eram apertados e foi impossível arranjar
tempo para estas visitas.
Luxemburgo – O que mais nos surpreendeu no Luxemburgo foi
as filas imensas nas Áreas de Serviço que entravam pela
autoestrada dentro. Causa: o preço da gasolina ser cerca de
0.4 € mais barato. Na cidade do Luxemburgo encontramos
Portugueses por todo o lado e ficamos surpreendidos com o
movimento gigantesco que aquele pequeno País tem. Sendo um
dos Países Europeus com rendimentos per capita mais
elevados, imaginávamos um País tranquilo mas o que
encontramos foi totalmente diferente.
Suiça – Lausanne foi o principal destino que escolhemos
para parar na Suíça. Na passagem da fronteira tivemos todos
de pagar o famoso autocolante (cerca de 40 €) que dá direito
a circular gratuitamente nas Autoestradas. Ficarão para
sempre nos nossos pára-brisas como recordação desta incrível
viagem. A passagem pela Suíça transmitiu-nos a imagem já
conhecida: muita tranquilidade, muito rigor, montanhas,
lagos e pastagens. Em Lausanne junto dos imenso lago, com
vista para França, voltamos a apanhar um “banho” de
português, que era a língua que mais se falava nas
redondezas. Verificou-se mesmo um episódio muito simpático:
estava eu a comandar a nossa caravana e parei num semáforo
vermelho. Parou um carro ao meu lado e como o nosso carro
transportava a bandeira Lusitana o seu condutor perguntou
num português perfeito: quer trocar esse carro por este? Eu
só me ri e disse que o meu carro não é para vender nem para
trocar. O nosso compatriota, de Santa Maria da Feira,
perguntou para onde íamos e dissemos que o objectivo era
almoçar junto ao Lago. Sugeriu de imediato almoçar no Clube
Português de Lausanne, o que aceitamos, e foi o nosso guia.
Espirito simpático e disponível tipicamente português. Lá
encontramos um restaurante com bom bacalhau, bons bifes na
pedra e ainda assim um ruído tipicamente português,
estávamos na Suíça mas sentíamo-nos em casa e toda a gente
só falava português.
França: foram vários os locais visitados neste País:
Nancy – Place Stanislas, impressionante esta Praça pela sua
beleza e dimensão,
Mulhouse - Colecção Schumpf: falar deste Museu que é o
maior Museu de Automóveis Antigos da Europa é tarefa
difícil, porque só passando por lá é que se consegue
compreender o que temos para ver. Cerca de 140 Bugatti e
400 Automóveis Antigos, desde os Pioneiros, a maioria
deles veículos muito raros, é tarefa impossível de fazer
em palavras. Mas desde os Carros Antigos que estão no
Museu, ao minitrem para visita, a restaurantes, várias
salas de cinema, espaço de desporto automóvel (destaque
Le Mans e Formula 1), motas, espaço para compra de
recordações: é incrível a dimensão e qualidade do Museu.
Recomendamos para quem gosta de Clássicos, uma visita.
Carcassone: Uma fortaleza medieval dos sec. XII e XIII
com origem nos tempos Romanos, mas com influencia também
dos Romanos e dos Visigodos, é o ponto forte. O
movimento de pessoas era incrível.
Lourdes e Col do Tourmalet: Visitamos o Santuário que
se situa numa espécie de Ilha e subimos o Col do
Tourmalet que chega a ter inclinações de 10%. O João e o
seu Rekord P1 optaram, por precaução (o carro começou a
chegar aos 100 graus de temperatura), por não subir mas
os outros 3 Clássicos Opel chegaram lá a cima sem
grandes dificuldades e todos ficamos impressionados com
os níveis de inclinação. O Tourmalet pouco mais alto é
que a nossa Serra da Estrela (uma diferença em altura de
200 m, excluindo o Pic do Midi a mais de 3000 m de
altura) mas os níveis de inclinações é que são muito
mais elevados. Comparar este Col com a nossa Serra da
Estrela ou com o Marão só por brincadeira. Mas mesmo
assim os nossos carros lá chegaram. Agora imaginem subir
de bicicleta ... Ai! Ai!
Avignon: Vale pelo seu Centro histórico. Local de
residência oficial dos Papas quando eles eram franceses.
Estamos no Sec XIII. A dimensão é incrível e o que mais
nos surpreendeu, nesta época do ano, foram as inúmeras
actividades de caracter cultural em curso e um movimento
de pessoas imenso, tal como sucedeu em Carcassone.
Biarritz: demos aqui uma pequena escapadela para tomar
um café nas praias francesas.
Espanha – Atravessar a Espanha é sempre um exercício
difícil, ficamos sempre com aquela ideia que estamos a
atravessar um “deserto”. No itinerário apenas tínhamos uma
referência de paragem – Tordesilhas, com a visita à Casa
onde em 1494 os Portugueses e Espanhóis decidiram assinar o
tratado que divida o Mundo. O Movimento turístico em torno
desta casa é a referência local, estando o respectivo Posto
de Turismo concentrado na divulgação do tratado. Destaque
ainda para a biblioteca hoje existente no interior da Casa.
Ainda em Espanha foi o meu Kadett B que começou a falhar
na carburação. Tentei mudar as afinações de mistura várias
vezes, mas sem resolver o problema. Apenas em casa é que
verifiquei que o tudo de ar que sai da tampa das válvulas
para a panela do filtro de ar estava com uma fenda enorme
mas que não se conseguia ver com a panela desmontada. Porém,
em casa, e com mais tempo descobri logo o problema e já está
tudo bem novamente. Se eu já tinha muita confiança neste
Kadett B de 1972 com 250000 Km, que posso eu dizer agora? É
que fizemos cerca de 4030 Km’s apenas com este pequeno
problema na fase final da viagem.
Portugal: no dia 25 efectuamos o almoço de despedida em
Bragança, em Gimonde, e contamos com a presença dos amigos
do NAC - Nordeste Automóvel Clube.
Algumas notas finais:
Preço da gasolina: com excepção da Espanha e do Luxemburgo a
gasolina é mais cara que em Portugal. Nos hipermercados
franceses é muito próxima do valor Português. Isto comparando
apenas preços, desprezando os rendimentos per capita/País.
Os nossos Clássicos merecem nota máxima e acho que qualquer um
de nós se tiver um motor em condições normais de funcionamento,
um circuito de água com tubos em bom estado, bem como um bom
liquido de refrigeração e o circuito devidamente limpo, com
correctas afinações faz uma viagem destas sem problemas de
maior. Apenas algum material suplente na mala para que qualquer
ocorrência possa ser superada e nada de especial acontecerá.
Acreditamos que com estes carros podemos dar a Volta ao Mundo.
Cumprimos integralmente o programa definido apenas com
ligeiros atrasos chegando a casa no dia 25 como programado;
A solução ideal para este tipo de Eventos é avançar dia a dia
em função do que vai acontecendo; a escolha de uma cadeia de
Hotéis que permita marcar alojamento para a noite seguinte é a
solução recomendada.
Para terminar: se tiverem oportunidade de viver uma Aventura
destas não a percam. Será um momento único. Circular de Clássico
em toda a Europa é incrível e se for, como no caso, bem a norte
da Europa, nem calor temos e circula-se sem dificuldades.
O C.L.A.C. mostra-se assim orgulhoso pela viagem efectuada e por
todos os incentivos que nos forma chegando, e estamos seguro que
engrandecemos o nome do nosso Portugal e mostramos que temos
capacidade para realizar projectos acima bem mais ambiciosos que
este. Esperem pelas próximas novidades!
Bem hajam todos os que gostam de Clássicos e, em amizade, sabem
viver estes momentos únicos na vida!